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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

COMPORTAMENTO

VIVER EM MARAGOJIPE


Oh! Minha bela cidade.
Maragojipe,
de belíssimas curvas, desenhos e desejos,
das mulheres inflamadas,
do ardor, ardente e fugaz desejo de amar.

Oh! Minha bela cidade.
de histórias, contos e encantos
travados na garganta mais profunda que existe,
pois de lá não quer sair,
vivendo num incrível vazio,
num lugar onde tudo se pode contar, falar e agir.
[...]

Oh! Minha bela cidade.
Maragojipe,
Gyp és tu, Marag sempre será,
indígena da cabeça aos pés,
da farinha ao pescar,

Oh! Minha bela cidade.
és tu a mais bela de todas,
e eu não te largo mais,
nunca mais,
pois, para mim, tu és um espetáculo,
de vida e atrativo.

Oh! Minha bela cidade.
culturas se mesclaram,
culturas se entrelaçaram,
contudo de nada resta,
pois foi e continua,
abandonada, desajustada,
deslocada e localizada,
fora do mapa do Brasil.
Zevaldo LR Sousa

Zevaldo Luiz Rodrigues de Sousa, 28 anos, poeta. É assim que ele descreve a patriótica cidade de Maragojipe. Uma vida de muita luta, onde os bravos maragojipanos de tez mestiça e quase sempre sem nenhum recurso resistem às constantes reveses do tempo e da vida.

Maragojipe se renova e fortalece a cada dia, tendo como base maior o sentimento, antes letárgico, de ‘magojipanidade’ e altivez.

Viver em Maragojipe - Cidade de grandes atrativos turísticos e banhada pelo Rio Paraguaçu – que de acordo com o senhor Germano Ferreira morador da na zona rural há 64 anos “Maragojipe já foi boa de viver, hoje a cidade está um pouco violenta, mas não tenho vontade de sair daqui não. Eu servir ao exercito, mas voltei e trabalhei no movimento brasileiro de alfabetização em 1972 que hoje é o TOPA (Programa de alfabetização da Bahia). Fui professor lego na zona rural e transportei o primeiro carro trazendo alunos para Maragojipe! Atualmente sou auxiliar de ensino na escola Cleriston Andrade, na zona rural.”
Para algumas pessoas que moram na cidade a maior dificuldade é a falta de emprego, como diz a senhora Edila Marta Moreira “Moro aqui à 28 anos e a gente procura um emprego e não acha. Sou formada há quase 10 anos em Magistério, fiz Formação Geral e o que mais preciso não acho, que é trabalho. Aqui não tem oportunidade, mas é um lugar bom para se morar.”

A realidade da cidade é vista com outro olhar sobre a visão dos jovens, Antonia Manuela Nunes, 15 anos diz “Eu moro em Coqueiros, mas estudo aqui, Maragojipe é uma cidade muito boa para morar, tem pessoas alegre, amigos. Pretendo ficar aqui, mas quero fazer administração e não tem faculdade na cidade.”

Maria José Silva de Jesus, 37 anos, não tem o que se queixar “Moro em Maragojipe em torno de 10 anos e morar aqui é gratificante, pois a cidade é tranqüila e sem muita violência diferente da cidade grande.”


GRACIELA SOUZA
JOSIANE NASCIMENTO

quinta-feira, 9 de julho de 2009

COMPORTAMENTO

A NOITE NA 25

A Praça 25 de Junho, na cidade de Cachoeira, abriga pessoas de diversas tribos como ponto de referência para encontros casuais - o que é comum em cidades do interior. As noites na “25” - popularmente falando - são bastante animadas, principalmente nos finais de semana e feriados. E não poderia ser diferente. A quinta-feira fria do feriado não impediu que casais, grupos familiares, adultos, jovens e universitários se reunissem no centro da praça - nas mesas e cadeiras localizadas praticamente no “meio da rua” ou no interior dos bares, que quase sempre estão cheios - para beber a tradicional cervejinha gelada, bater um papo, paquerar. Enfim...

Frequentadores da praça consideram a noite na “25” umas das melhores do interior da Bahia. Um deles, Eliandson Santos, estudante universitário nos respondeu ser uma noite tranquila. “A maioria das pessoas vem se divertir. O pessoal que frequenta preza sempre pela paz. Eu acho um lugar bem legal”, disse-nos então. Mas nem sempre as noites foram tranquilas. Teve épocas em que carros com sons potentes disputavam um espaço na devida praça, ocasionando muitas vezes atritos, brigas e uma evidente poluição sonora no recinto. Mas com a presença do módulo policial próximo, a mesma tem um controle maior, pondo em vigor a lei de trânsito que proíbe a presença de sons que venham a incomodar – afinal, mesmo que poucos, existem residentes instalados na Praça 25 de Junho -, sendo permitido somente som ambiente e no interior dos bares. Evidencias apontam que essa poluição na praça contribuiu em parte para o desabamento do cinema. “Aqui é um lugar aonde as pessoas vem se divertir e conversar. O som dos carros incomodava muito”, disse Eliandson.

A maioria das pessoas vem se divertir. O pessoal que frequenta preza sempre pela paz. Eu acho um lugar bem legal.

Em um dos finais de semana que as pessoas estão mais dispostas a comparecer à “25” – que são aos sábados – presenciamos um ambiente não muito movimentado. Um pouco mais diferente do cenário do último feriado, a noite de 4 de julho é composta por jovens e casais. “As noites de inverno são mais vazias, pois as pessoas já estão cansadas e saturadas de festas. E o frio também muitas vezes as impede de sair”, afirmou Leandro Morais, que estava presente no local.

As músicas em alto volume, vindas dos carros tentavam dar um ar mais animado. Porém, a polícia não deixou de os surpreender. Leandro discorda dessa medida e diz: “O som dos carros elevam o ânimo das pessoas e tiram a monotonia do ambiente provocada pelo baixo fluxo de pessoas e o mau atendimento dos comerciantes locais”.

LORENA MORAIS e LEO SANTANA